Estou no aeroporto de Congonhas. Lotado. Lotado. Eu fui claro? Lotado. Eu sei, eu estava em um aeroporto há dois domingos. É que a internet, apesar de me permitir trabalhar de casa, me faz viajar muito. Incoerências digitais.
Neste momento, estourou um cano de pessoas vindas do show do Coldplay. Foi o que a funcionária da Latam me disse (com palavras formais, lógico).
Na lanchonete, se eu me levantar da cadeira para buscar o chá (que eu pedi!), perderei a mesa, a cadeira e a dignidade. Terei que tomar chá em pé, esbarrando nos outros que tentam pegar seus cafés (ninguém pede chá no aeroporto. Só eu e sua vó. Tá bom, nem sua vó. Só eu).
Voltemos. Tentei antecipar meu voo. Mas todos os voos para Brasília estão lotados. Pessoas voltando do show do Coldplay…
O pior é que eu não sei dizer o nome de uma música deles. Claro que devo conhecer alguma. Mas eu não sei dizer uma. Sabe, eu tenho inveja de quem vai ao show do Coldplay e canta todas. De quem só vai para postar no Instagram eu tenho preguiça mesmo.
Eu tenho muitas preguiças. Preguiça de quem vai a hotel bom e precisa postar que está lá, de quem tira foto em carro conversível, de homem que usa cinto com a marca gritando na fivela. Meu filho, ninguém, fora você, se importa com o fato de o seu cinto ser Gucci, Hermès ou Ferragamo. Poupe-nos.
Continuemos.
Nesta segunda, eu dou a primeira aula do encontro dos oradores. Vai ser às 21h no meu canal no YouTube.
Não, você não tem nada para fazer na s-e-g-u-n-d-a, 21h. Então, eu conto com sua presença. Gente ao vivo empolga o professor. Favor me deixar empolgado neste início da semana.
Até mais tarde.
Ah, hoje eu vou ouvir Coldplay. Mentira, vou ouvir Tom Jobim mesmo.
Um abraço,
Samer