16 de abril, domingo, 11h58min, Aeroporto de Goiânia.
Estou sentado em frente ao portão 1, esperando o embarque para Congonhas. Neste momento, uma senhora faz de sua mala um pufe e estica os pés na minha cara. Bem na minha cara. Eu adoro a finesse goiana (detalhe: eu sou goiano e, antes que alguém me acuse, é uma brincadeira local). Avancemos com paciência.
Ao microfone, a atendente da Gol anuncia: “em razão da alta ocupação de nossa aeronave, recomendamos o despacho voluntário da bagagem”. Minha filha, está vazio. Há mais funcionários no aeroporto do que passageiros. As pessoas sabem contar. E eu não vou despachar minha bagagem, até porque eu não tenho bagagem. Vou e volto hoje (ministrarei uma palestra no evento da minha amiga Priscila Zillo).
Foquemos no objetivo desta Newsletter.
Meu avô morreu em 2008, ou seja, há 15 anos. Aí, outro dia, eu pensava sobre o que mudou depois de sua morte. Pensando em mim, eu era estudante, solteiro e morava em Goiânia. Deu tempo de eu me tornar delegado, juiz, professor e advogado, nessa ordem. Ainda, eu me casei com uma mulher de Chapecó, tenho uma filha de 1 ano e moro em Brasília. Nada a ver com qualquer previsão verossímil de 2008. Mas, fora minha vida, fiquei pensando nas pessoas que eu e meu avô conhecíamos, na família, nos amigos. Gente, é chocante o tamanho da mudança na vida de todos.
Aonde quero chegar? Às vezes, parece que a vida da gente não muda ou muda muito pouco. Mas, quando você pega intervalos maiores (10 ou 15 anos), você se assusta com o tamanho da mudança.
Por isso, deixo a sugestão: imagine que alguém morto há 10 ou mais anos regressasse por um dia e você ficasse responsável por contar-lhe o que mudou na sua vida e na vida das pessoas da sua família na última década. Prepare-se para o choque.
Tá, mas qual a moral da história? A moral é que sua vida mudará muito ainda. Muita coisa acontecerá nos próximos 10 anos. E você terá que se adaptar se quiser continuar em paz. Ser flexível é uma necessidade de primeira ordem. Apenas seja. Boa semana!